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A Comissão Europeia revelou uma proposta ambiciosa para o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) da União Europeia, que vigorará entre 2028 e 2034, alocando a Portugal um envelope financeiro de €33,5 mil milhões. Este montante, embora expressivo, traz consigo a possibilidade de cortes significativos, especialmente nas políticas de Coesão e Agricultura, o que tem gerado debates acesos sobre o futuro dos fundos europeus no país. Mas o que significa esta proposta para Portugal, e como ela pode impactar a economia e as regiões? Vamos mergulhar nos detalhes dessa notícia que promete moldar o futuro financeiro do país.
A proposta da Comissão Europeia, apresentada em Bruxelas na última quarta-feira, 16 de julho de 2025, prevê um orçamento total da UE de dois biliões de euros, um aumento substancial face aos 1,2 biliões do quadro atual (2021-2027). Para Portugal, o envelope de €33,5 mil milhões é composto por €31,6 mil milhões destinados às áreas de Coesão, Agricultura e Pescas, €900 milhões para Migrações e €900 milhões para o Fundo Social para o Clima. No entanto, cerca de €100 milhões permanecem sem destino claro, levantando questões sobre a precisão das contas comunitárias.
Comparado com o quadro anterior (2014-2020), onde Portugal garantiu €29,8 mil milhões, o novo montante parece promissor. Contudo, quando ajustado pela inflação, o valor real pode ser menos vantajoso, e os potenciais cortes – estimados em mais de mil milhões de euros em relação ao quadro atual – acendem um sinal de alerta. A Política Agrícola Comum (PAC), por exemplo, sofrerá uma redução de 22%, passando de €387 mil milhões para €300 mil milhões a nível europeu, o que pode afetar diretamente os agricultores portugueses.
Uma das grandes novidades desta proposta é a “nacionalização” dos fundos europeus. A Comissão Europeia sugere que os recursos para Coesão e Agricultura sejam geridos através de Planos de Parcerias Nacionais e Regionais, dando mais poder aos governos nacionais e menos autonomia às regiões. Esta mudança, segundo Bruxelas, visa simplificar a gestão dos fundos, reduzindo o número de programas de 52 para 16 e alinhando a alocação de verbas ao cumprimento de metas de reformas, num modelo inspirado nos Planos de Recuperação e Resiliência (PRR).
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, classificou a proposta como um “pontapé de saída” e pediu cautela na análise, já que as negociações com o Parlamento Europeu e os Estados-membros podem durar até um ano e meio. Almeida enfatizou que Portugal fará “tudo” para evitar cortes nos recursos, destacando a importância de manter o financiamento para políticas tradicionais, como a agricultura e a coesão, que são “pilares centrais da solidariedade europeia”.
A proposta traz oportunidades, mas também desafios. A alocação de €218 mil milhões para as regiões menos desenvolvidas da UE, incluindo várias em Portugal, pode ajudar a reduzir disparidades regionais. Além disso, o novo Fundo Europeu para a Competitividade, com €410 mil milhões, promete impulsionar a inovação e a investigação, áreas onde Portugal tem procurado destacar-se. No entanto, a redução de 7% nos fundos de coesão, observada em propostas anteriores (2018), e o corte de 22% na PAC podem limitar o impacto positivo, especialmente em setores como a agricultura, que é vital para a economia rural portuguesa.
Outro ponto de atenção é o aumento das contribuições nacionais, que passarão de 1,1% para 1,26% do Rendimento Nacional Bruto (RNB). A introdução de novos impostos – como um tributo sobre o consumo de tabaco, resíduos eletrónicos e comércio eletrónico – também visa financiar o orçamento, mas pode gerar resistência entre os Estados-membros. Para Portugal, que já enfrenta pressões orçamentais, como a obrigação de cortar €2,8 mil milhões anuais para reduzir a dívida pública, a negociação será crucial para equilibrar ambições europeias e necessidades nacionais.
A proposta não escapou a críticas. Eurodeputados, incluindo a portuguesa Carla Tavares (PS), alertaram que o orçamento de dois biliões “não é suficiente” para responder às prioridades da UE, como defesa, transição climática e competitividade. Segundo os parlamentares, o limite de 1,26% do RNB, aliado à inflação, pode forçar cortes em programas emblemáticos, deixando a UE “parada”. A pressão para aumentar o orçamento ou rever as prioridades será um tema quente nas negociações, que exigem o apoio unânime dos 27 países-membros e a aprovação do Parlamento Europeu.
Enquanto isso, Portugal já manifestou a intenção de proteger as políticas tradicionais de coesão e agricultura, que representam cerca de 80% dos fundos comunitários recebidos pelo país. A promessa de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, de criar um orçamento “maior, mais inteligente e mais incisivo” será posta à prova nas próximas discussões, onde Portugal terá de lutar por um acordo que maximize os benefícios para o país.
A proposta de €33,5 mil milhões para Portugal é um marco importante, mas está longe de ser definitiva. Com negociações prolongadas pela frente, o governo português terá de jogar com habilidade para garantir que os cortes potenciais não comprometam setores estratégicos como a agricultura e a coesão regional. Ao mesmo tempo, a aposta em áreas como inovação, defesa e transição climática reflete as novas prioridades da UE, que busca responder aos desafios de um mundo em rápida transformação.
Para os portugueses, este orçamento representa uma oportunidade de continuar a construir um país mais competitivo e coeso, mas também um lembrete de que nada está garantido. Enquanto Bruxelas dá o primeiro passo, cabe agora a Portugal – e aos seus representantes – assegurar que o “envelope” financeiro seja não apenas generoso, mas também bem aplicado.